Bem Vindo ao sítio do Grupo Folclórico da Casa do Povo de Ceira
Reposições e Tradições

Canto das Almas

Este cântico tem como objectivo o angariar donativos para mandar celebrar missas por alma dos falecidos. Os versos previamente preparados, eram cantados por dois grupos de homens, um grupo colocado no início da rua, o outro colocado no final da rua, quando terminava o cântico que era bastante extenso os homens recolhiam das pessoas, tudo aquilo que queriam oferecer, desde batatas, feijão, chouriço, etc. Estes produtos eram depois vendidos e o dinheiro era entregue à Igreja, para que fossem usadas missas pelas aparar do purgatório.

Essa esmola que vós dais
Se a dais com devoção
Na terra tereis o prémio
Lá na glória a salvação

 

 

Assim se cantava

Este canto efectuava-se durante a Quaresma.

O nosso grupo repõe esta tradição todos os anos visitando os lugares da freguesia

Hoje as pessoas não dão géneros, dão dinheiro, que como manda a tradição, é entregue na igreja, para missas.

 

 

Romaria do Senhor da Serra

Foi em 1993 que o Grupo Folclórico da Casa do Povo de Ceira, procurando novos desafios, se propôs reconstituir a Romaria ao Divino Senhor da Serra, conforme ela existiu em finais do Século XIX princípios do Século XX.

Desde da primeira hora pretendeu-se que este trabalho fosse levedo a efeito com toda a seriedade e respeito pelos princípios da etnografia, pelos quais todos os grupos se deveriam reger.

Foi uma tarefa árdua, mas também prestigiante, de que muito nos orgulhamos.

  • Enquadramento

A povoação do Senhor da Serra e o Santuário que lhe deu o nome estão situados na freguesia de Semide, concelho de Miranda do Corvo, todavia, as respectivas origens, bem assim como a Romaria estão muito ligadas à Freguesia de Ceira, concelho de Coimbra, razões mais que justificadas para que o Grupo Folclórico da Casa do Povo de Ceira, fiel aos seus princípios de recolha, preservação, e divulgação da Cultura Popular da zona em que está inserido, tivesse preparado com todos os cuidados a reconstituição da Romaria do Senhor da Serra.

Tivemos como objectivos a recolha, preservação, reconstituição e divulgação do Património Cultural Popular, bem como, a dinamização da actual Romaria do Senhor da Serra.

Poderíamos, também, referir objectivos paralelos como desenvolvimento turístico da região e a preservação paisagística da área de influência da Romaria, que foram alcançados com o regresso ao santuário de milhares de romeiros que há muitos anos não o frequentavam e, desde então, são uma presença regular e a limpeza de alguns caminhos e locais tradicionais de passagem dos referidos romeiros.

  • Historial

Martinho Avô e sua mulher Maria Guilhaume, naturais e residentes em Ceira tinham em sua casa a imagem do Santo Cristo, Crucifixo Setecentista, em pedra, com uma caveira na base.

Em agradecimento por Graças concedidas mandaram construir um nicho no local designado actualmente por Cruz da Serra, freguesia de Ceira, onde foi instalada a referida imagem.

A fama dos milagres rapidamente se espalhou, por toda a Beira, de onde foram vindo milhares de romeiros e peregrinos generosos, cujas esmolas ocasionaram uma contenda entre as Freiras do Convento de Semide e Pároco de Ceira. Conta a tradição que os criados do Convento terão pegado a imagem, numa das viagens de regresso da barca de Ceira, levando-a para Semide.

De 1653 a 1663 as Monjas de Semide mandaram erguer uma Capela no local onde hoje se situa o actual Santuário. Este lugar, inicialmente deserto, era, contudo, tão importante, como local de passagem, como de temer, por ser uma encruzilhada de caminhos, onde aconteciam, com frequência, assaltos por vezes violentos.

Em 1678 já o Senhor da Serra tinha Ermitão e em 1681 taberneiro, sinais evidentes de povoamento, mas também do incremento da quantidade de romeiros que visitavam a Capela.

Os jornais regionais em 1916, durante a Romaria, calcularam que cerca de 20 000 peregrinos terão passado pelo Senhor da Serra.

  • Reconstituição

Foi com base em todos estes elementos que nos propusemos fazer tal reconstituição, mas, para que tal trabalho fosse conseguido, com mais pormenor, faltavam-nos elementos importantes que recolhemos junto da população mais idosa, que nos transmitiram nomes, personagens, hábitos e locais.

Durante cerca de oito meses fomos preparando a reconstituição da Romaria do Senhor da Serra, através de recolhas junto das populações do Senhor da Serra, Vendas da Serra, Vendas de Ceira e Ceira, localidades por onde se desenvolvia a actividade e na área dos restantes grupos participantes, de onde vinham habitualmente muitos Romeiros, actividade desenvolvida com a colaboração dos grupos participantes e que pretendia, sobretudo, recolher as cantigas e danças, os cânticos e as promessas, os trajes e farnéis outrora utilizados.

A nossa ideia foi entendida por todos e o resultado foi a reconstituição tão próxima quanto possível daquelas que outrora se realizaram.

Os Romeiros vinham de Coimbra, mas também do Baixo Mondego, da região das Gândaras, de Aveiro, de Leiria, etc... Muitos pernoitavam em Ceira, em casas alugadas, onde era obrigatório a organização de um baile, saíam então, de madrugada, serra acima com seus fatos de domingueiros e os cestos de merenda à cabeça ou a cabaça às costas, a pé ou em carro de bois, lá iam os Romeiros do Senhor da Serra. Aí apareciam os rapazotes que, a troco de uma moeda, se ofereciam para levar as bicicletas serra acima, não sendo raras as vezes que na tentativa de montarem em cima delas, se estatelavam no chão de terra batida rompendo os calções e a pele ou estragando as prateleiras. Pelo caminho as aguadeiras e as tabernas improvisadas com ramos verdes de pinheiro e eucalipto, matavam-lhes a fome e a sede. Os mendigos, os aleijados, o cigano, o bêbedo que se colocavam ao longo do caminho de forma a obterem a esmola generosa dos romeiros, completavam a pitoresca imagem humana da serpenteante estrada da Serra. No lugar do Senhor da Serra estavam os feirantes com suas tendas de brinquedos de barros do Carapinhal, de bolos e guloseimas, a roleta ou a barraca dos tirinhos e o miúdo que vendia pirolitos.

Mal chegavam, os romeiros pagavam suas promessas ao Divino Senhor da Serra, ouvindo Sermão, oferecendo velas ou apenas rezando, com seus fatos de romaria ou amortalhados. Primeiro as devoções que logo se haviam de deliciar com os prazeres da Romaria.

Cada terra com seus usos, cada grupo com suas cantigas e tocatas.

Ao jantar, pelo meio-dia, reuniam-se os amigos, abriam-se os cestos merendeiros e era vê-los prazenteiros, deliciando-se com a galinha tostada, as pataniscas, o arroz de feijão, o pão de ló e sempre, sempre o vinho.

De regresso a casa, nova paragem na Cruz da Serra, para acabar com as merendas e, com a valentia que o vinho ajudava a alcançar, eram então, inevitáveis, as zaragatas entre romeiros, devido a alguns excessos de desconfianças de namorados.

 

Jogos Tradicionais

O Grupo Folclórico da Casa do Povo de Ceira tem dado um forte contributo para que não se percam os jogos de antigamente que eram um entretém das nossas gentes.

Para isso procurou recolher as regras de alguns jogos que todos os anos junto á sua sede na Casa do Povo de Ceira os repõe, fazendo as delícias do nosso povo, onde alguns recordam e outros aprendem, para que a nossa cultura popular permaneça viva no espírito das nossas gentes.

Assim temos:

  • O Jogo da Malha

  • A Corrida de Cântaros

  • A Corrida de Sacos

  • O Atirar às Latas

  • A Caça ao Galo

  • O Jogo do Esticar a Corda

  • O Subir ao Pau Ensebado

  • O Jogo do Pião

  • A Corrida de Arcos

 

  • Descante da Noiva

Nas nossas pesquisas mais idosas da nossa freguesia fomos encontrar uma tradição popular muito bonita relacionada com o casamento mais propriamente relacionada com os noivos.

Na véspera do casamento, um grupo de pessoas iam a casa da noiva cantar versos previamente preparados para o efeito.

Todas as quadradas eram dirigidas aos noivos, pais, padrinhos, primos, cunhados e restante família.

Por vezes até se descobriam alguns segredos escondidos, e que provocavam sempre alguma controvérsia mas tudo acabava em bem, pois o casamento estava á porta e a hora era de alegria.

No final da cantoria os pais da noiva ofereciam ao cantador um beberete, terminando tudo num feliz convívio.

Sempre que alguém se casa na vila de Ceira, arredores ou que o grupo seja solicitado, mantém a tradição efectuando o descante á noiva

  • Fogueiras do S. João

As festas mais populares da nossa terra, eram as festas dos Santos Populares, mais conhecidas por Fogueira do S. João.

Em Junho festejavam-se os Santos Populares e as nossas eiras e as largas da nossa terra, terra, eram embelezados com flores, arcos e balões para que ali se cantassem e dançassem à voz do mandador, as fogueiras do S. João. Eram modas de roda muito simples, em que o mandador evoluía no meio da roda, dizendo a alto e bom som, como as frases deviam dançar. Lembrando sempre que tudo tinha de cantar enquanto dançava.

O nosso Grupo dedica todos anos uma noite de Fogueiras para manter viva a memória desta tradição.

  • Ciclo do Milho

O Grupo Folclórico da Casa do Povo de Ceira tem gravado em vídeo um trabalho sobre o ciclo do milho.

Desde o lavrar da terra até á broa chegar á mesa passando pelas diversas fases.

Foi feito por processos antigos, que ficará para a memória dos mais antigos e para conhecimento dos mais novos.

Um trabalho já apresentado em algumas escolas da nossa freguesia.

   
  • A Barrela e a Lavadeira do Rio Ceira

No século XIX e princípios do século XX existia em Ceira a “A Lavadeira”, que se dedicava à lavagem da roupa das senhoras de Coimbra. Personagem importante, não só pelo trabalho que desenvolvia, mas também pelas profissões que se desenvolveram paralelamente, como por exemplo “O Barqueiro” e “O Carreiro”.

As Lavadeiras deslocavam-se a Coimbra, às segundas-feiras, levando a roupa lavada em trouxas protegida por uma serapilheira e regressavam com a roupa suja envolvida num lençol, para mais uma semana de árduo trabalho.

O acto de entregar, conferir e receber a roupa era denominado por “DAR A ROUPA AO ROL”. Sempre que faltava uma peça a lavadeira tinha que indemnizar a respectiva “Senhora”. Quando cobravam $50 (cinquenta centavos) por lavar um lençol, a respectiva indemnização chegava a custar 50$00 (cinquenta escudos) e isto a preços de 1940/1950.

A carga e descarga dos carros de bois era inicialmente feita na rua da Sota e mais tarde junto à Estação Nova, o que, permitia juntar o tráfego dos carros de bois e dos barcos. Estes transportes levavam, para além da roupa, carqueija e lenha para as lareiras.

O processo de lavagem de roupa, era realizado em pleno rio Ceira e consistia em seleccionar de acordo com a respectiva utilização e sujidade, molha,”BARRELA” ou “INFUNDISSE”, passar por água corrente, corar, tornar a passar, enxugar e dobrar.

A “Barrela” consistia num processo típico de desencardir a roupa branca. Após se ter feito a selecção e molhado a roupa na água corrente do rio, esta era colocada em camadas no “Cortiço” de madeira, previamente forrado com um pano de linho, chamado ”Barreleiro” e tapada com outro “Barreleiro” sobre o qual se colocava borralha. Enquanto decorriam estes trabalhos, ao lado aquecia-se água, numa panela de ferro com três pés, onde se diluíam alguns pedaços de sabão gordo, para ser despejada sobre a borralha. Só quando a água ( “Decoada” ) saísse branca e quase tão quente como entrava, se considerava a barrela pronta. Na “Infundisse” eram colocados os panos de cozinha e fazia-se com estrume de galinha diluído na “Decoada” (Água que escorria da Barrela ).

Estas duas operações duravam quase toda a noite, pelo que a lavadeira pernoitava numa pequena cabana improvisada com ramagem de salgueiro, canas e algumas peças de roupa e ia-se aquecendo com a fogueira e o café feito no local.

Ainda hoje se recordam, com entusiasmo e muito sentimento as histórias e momentos de prazer que se viveram durante as noites ou no tempo de espera para a roupa corar ou enxugar.

Pela manhã a roupa era passada em água corrente e colocada a “Corar” (Exposição ao sol, mantendo a roupa permanentemente húmida – borrifada com água em curtos intervalos de tempo) sobre as pedras do areal do rio Ceira (cascalho). Após nova passagem por água, a roupa era torcida e posta a enxugar nos salgueirais.

A Lavadeira, normalmente, vestia uma blusa de chita, saia comprida de gorgorina e avental de riscado, quando de deslocava á “Cidade” (Coimbra) levava nos pés umas chinelas e cobria a cabeça com um cachené.

 

  • A Matança do Porco

De chancas a ranger, mãos nos bolso da samarra, facalhão de cortiça na ponta debaixo do braço, boina enterrada a tapar as orelhas e vaporadas da respiração a enquadrar o nariz vermelho do frio, o ti Luciano lá ia para tirar o chiadoiro a mais um bicho. E não era o primeiro. Para os fundos do lugar já se ouvia, na manhã seca e fria, o barulho agudo de outro cevado em apertos. Uns guinchos ásperos, seguidos de pausas, logo enrouquecidos até se transformarem em grunhidos abandonados à sorte desde sempre traçada.

No terreirito à porta da cozinha e encostados ao canastro já estavam os ajudas, alguns, amigos da casa. A ti Natalina, metida na cozinha funda, preparava o alguidar de barro para aparar o sangue deitando umas goladas de vinho tinto com cebola picada à mistura.

À falta de carro das vacas no quinteiro, o ti Patrício pensara carregar os cavaletes de carpintagem que estavam arrumados e fazer um estrado com três ou quatro das tábuas encostadas ao alto na eira a secar. Porém, a conselho do ti Luciano, bastante experiente nestas lides, foi buscar um carro de mão e rapidamente se preparou o catafalco.

Apanhar o bicho é que não foi fácil! O patrício entrou no curral e deitou mão à orelha do animal que, assustado, deitou a correr obrigando-o a largar para não ficar entalado na porta. Mesmo assim algum aperto aconteceu pois o Patrício não parava de soprar nos dedos e de tocar berimbau...

A questão é que o bicho ficou ainda mais apavorado e nem deixava chegar perto.

Bem veio a tia Talina, crruch, crruch, crruch, com umas folhas de couve para acalmas, mas é o acalmas!!! Encostado ao canto, no fundo do curral, o bicho defendia-se com uma gana que tirava a vontade a qualquer um de lá chegar.

Experiente o ti Luciano pegou numa corda e com o laço aberto e muita artimanha lá consegui laçar a pata de trás do porco que, em desequilíbrio, perdeu muita da perigosidade, mais virado agora para se manifestar com uma chiadeira infernal.

Mãos às orelhas, laçada no focinho, rapidamente estava encostado à frente do carro onde, num gesto brusco, seguras as patas, foi alçado para o carro.

Bem estrebuchava o animal, mas as mãos firmes dos ajudas não cederam e o bicho acabou por se despedir nas mãos experientes e sujas de sangue do ti Luciano.

 

 

Entre uns comentários brincalhões dos homens para a canalhada que espreitava temerosa no patim da cozinha, iniciou-se o chamusco das cerdas que antigamente até se aproveitavam para linha de sapateiro. Uma mancheia de "carqueija" seca a arder numa das mãos e uma faca afiada, para raspar, na outra, logo logo o ar ficou carregado com um cheiro de pêlo queimado. Um dos homens concentrou-se à volta dos unhatos queimando-os bem e, depois, apoiando a pata do bicho no joelho, com uma retorsão, retirava-os e jogava-os para a miudagem acocorada no patim.

 

 

Raspado e bem lavado o animal, breve o ti Luciano se concentrou na tarefa especial de fazer o rabo ao porco, isto é, de limpar a tripa com rolhos de colmo e de cortar habilmente em toda a volta de forma a soltar a tripa do rabo juntamente com o resto do intestino quando se abrisse o bicho.

 

 

 

 

Agora vinha a tarefa de carregar o porco em peso para a loja para ser pendurado num gancho pregado na trave. Uns à orelha, outros às pernas e rabo e os mais azarados ao lombo e barriga, lá carregaram o cevado com o Patrício, brincalhão, a deixar escorregar o peso para o lado do Zé que, apesar de teso, acusava o esforço nas bochechas vermelhas e inchadas de ar. Piscando o olho para os outros o Patrício berrava aos ouvidos do Zé: Então pá! Estás "arrasquinha" ou quê?!

Dentro da loja o bicho foi rapidamente içado por uma cora amarrada à prancha e presa ao gancho ficando a baloiçar e a pingar sangue pelo focinho.

 

 

De costas para o ti Luciano começou então a delicada tarefa de abrir o porco, cortando com mão leve e pulso seguro a pele e as camadas de gordura que, ao contacto da lâmina, se abriam com suavidade. O bandulho a espreitar e a Talina a chegar a cesta, apoiada sobre as mãos do porco, para aparar a tripalhada que escorregava acinzentada com rendas de gordura à mistura.

Com ar de professor o ti Luciano explicava: "o interior do porco é cum'agente. Queres ver o teu corpo? Abre o teu porco". E mostrava os vários órgãos do bicho: as tripas eram entregues às mulheres para separar as rendas de gordura que, derretidas, se transformavam nos chamados torresmos das tripas. Depois eram levadas ao rego para serem bem lavadas; o conjunto dos órgãos mais limpos, coração, fressura (pulmões), fígado, passarinha (baço), pendurados na goela com a língua à mistura, era rapidamente vistoriado para tirar o fel, cortar um bom naco do fígado para fritar em iscas para o pessoal, e depois, de ser pendurado num prego da trave ao lado do animal.

 

 

Finalmente saíam os rins, a modos dos que dois feijões grandes, que se juntavam ao naco destinado às iscas.

Limpo, o cevado ali ficava pendurado no chambaril a arrefecer até à tardinha para ser desmanchado. Por precaução fechava-se bem a porta e tapavam-se as frestas da loja porque cães e gatos não deixariam de rondar à cata de uma oportunidade de deitar o dente ao defunto.

As mulheres, mal voltavam do rio de lavar as tripas, comiam, indo de seguida meter os untos e outra carne gorda no sangue, iniciando a feitura das morcelas.

 

 

Os enchidos de sangue levavam uma escaldadela, sendo retirados os que rebentavam e comidos pouco depois. Os restantes penduravam-se em pregos e varas no caniço, sobre a lareira, onde ficavam a secar.

 

 

O restante enchido era feito mais tarde pela dona de casa. A carne para as chouriças era temperada e guardada em alguidares a curtir. As farinheiras eram o último tipo de enchido a ser feito.

À noite, ao serão era uma festa, serrabulho e febras e arroz de fressura, até encher a barriga, regado com o respectivo tinto da casa.

Toda a carne era guardada na salgadeira.

A carne de porco era a base da alimentação das gentes de Ceira, juntamente com a broa de milho.

Ainda hoje se continua a matar o porco, mas o sabor já é diferente.

 

 

 

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